Sexta-feira, 3 de Novembro de 2006

O desejo de um bombeiro...

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    Pois, nem a propósito...

 Com tanta instabilidade que se tem vivido nos últimos tempos em várias corporações de bombeiros, à imagem do país político, nem a propósito recebi da Sofia, uma coisa bem interessante, que assenta que nem uma luva, para ser pensada sobretudo por pessoas que têm uma visão muito deturpada, da realidade que são os bombeiros, e como devem ser geridos e ajudados.

Este texto, a Sofia não sabe quem o escreveu, eu também não, não faz mal...

De certeza que o autor/a, não leverá a mal que seja reproduzido nesta página, para verem que há coisas que muitos ainda desconhecem como realmente as coisas são, neste caso no âmbito da família, bombeiros...

 

O desejo de um Bombeiro...



Desejava que pudesses ver a tristeza de um homem de negócios quando o trabalho da sua vida desaparece em chamas ou uma família que regressa a casa e apenas encontrar a sua casa e os seus pertences danificados ou destruídos.

Desejava que pudesses saber o que é procurar num quarto a arder por crianças presas... As chamas por cima da tua cabeça, as palmas das mãos e os joelhos a queimaram enquanto tu rastejas... O chão a ranger com o teu peso, enquanto a cozinha arde por baixo de ti.

Desejava que pudesses compreender o horror de uma esposa quando às 3 da manhã verifica que o marido não tem pulso...
Inicio o S.B.V. (suporte básico de vida) no mesmo, esperando uma hipótese muito remota de trazê-lo de volta... Sabendo instintivamente  que era tarde demais...
Mas querendo que a família soubesse que tudo o que era possível foi feito.


Desejava que pudesses saber o cheiro único de uma queimadura, o gosto da saliva com sabor a fuligem... Sentir o intenso calor que passa através do equipamento, o som dos estalos das chamas, a sensação de não conseguir ver absolutamente nada através do fumo denso... Sensações que se tornaram muito familiares para mim...

Desejava que pudesses compreender como nos sentimos ao ir para o trabalho de manhã após passarmos a maior parte da noite suando com o calor de diversas chamadas de fogo...

Desejava que pudesses ler o meu pensamento quando respondo a uma chamada para um edifício a arder, "Será falso alarme ou um enorme incêndio? Como será a construção do edifício? Que perigos esperam por mim? Estará alguém lá dentro ou saíram todos?"

"Ou para uma chamada de socorro," o que se passará com o doente? Será que a pessoa que telefonou está mesmo em apuros ou estará à minha espera com uma arma?".

Desejava que pudesses estar na sala de reanimação quando o médico decide anunciar a morte da linda menina de cinco anos que tenho tentado salvar durante os 25 minutos anteriores, e que nunca irá ter o seu primeiro namorado, nem nunca mais irá dizer "gosto muito de ti, mãe"...

Desejava que pudesses saber a frustração que sinto na cabina do autotanque, o motorista com o acelerador a fundo, o meu braço a tocar a sirene vezes sem conta quando não se consegue passar por um cruzamento ou no meio do transito.

 

Quando vocês precisam de nós, no entanto, o primeiro comentário quando chegamos será "levaram muito tempo para cá chegar".

Desejava que pudesses ler os meus pensamentos enquanto ajudo a retirar os restos de uma jovem do seu veiculo contorcido, "e se fosse a minha irmã, a minha namorada ou alguma amiga? Qual será a reacção dos seus pais quando abrirem a porta e verem os policias?"

Desejava que pudesses saber como é entrar em casa e cumprimentar a família não tendo coragem para lhes dizer que quase não voltei da ultima chamada.

Desejava que pudesses sentir os meus sentimentos quando as pessoas verbalmente, e às vezes fisicamente, nos maltratam ou subestimam o que fazemos, ou quando têm a atitude "isto nunca me aconteceria".

Desejava que pudesses perceber a instabilidade mental, emocional e física de refeições perdidas, sonos perdidos e a falta de actividades sociais associadas todas as tragédias que os meus olhos já viram.

Desejava que pudesses saber a irmandade que existe e a satisfação de ajudar a salvar uma vida, a preservar as coisas de alguém, a estar "lá" nos tempos de crise ou a criar ordem quando existe um caos total.

Desejava que pudesses compreender como nos sentimos quando temos uma criança a puxar-nos o braço e a perguntar "a minha mãe está bem?" sem sequer de conseguir olhar nos seus olhos sem deixar cair umas lágrimas e sem saber o que responder. Ou ter de segurar um amigo de longa data enquanto o seu companheiro vai na ambulância a receber respiração boca-a-boca. Sabendo de antemão que ele não trazia o cinto de segurança posto. Sensações que me ficaram muito familiares...

A menos que tenhas vivido este tipo de vida, nunca conseguirás entender verdadeiramente ou apreciar

QUEM EU SOU, O QUE NÓS SOMOS OU O QUE O NOSSO TRABALHO SIGNIFICA REALMENTE PARA NÓS…

 

     Desejava que pudesses....    

 


 

 

Sinto-me...: Esperança que tudo melhore...
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Rabiscado por > Paraquedista às 12:01
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12 comentários:
De Desconhecido a 3 de Novembro de 2006 às 15:50
É um texto realmente sublime e verdadeiro.
Aqui fica a canção do Sodado de Fogo e o meu respeito pelos homens de coragem e de bravura:

Contra as chamas em lutas Ingentes,
Sob o nobre o alvi-rubro pendão,
Dos soldados do fogo valentes,
É, na paz, a sagrada missão.
E se um dia houver sangue e batalha,
Desfraldando a auri-verde bandeira,
Nossos peitos são férreas muralhas,
Contra audaz agressão estrangeira,


Missão dupla o dever nos aponta
Vida alheia e riquezas a salvar
E, na guerra, punindo uma afronta,
Com valor pela Pátria lutar.


De paraquedista a 3 de Novembro de 2006 às 22:09
Então obrigado pela visita, Desconhecido e um bom fim de semana.


De * a 3 de Novembro de 2006 às 17:25
Desejava que lhes fosse dada a importância que realmente têm na sociedade.

Jinhos***


De paraquedista a 3 de Novembro de 2006 às 22:12
Olá Marta. Obrigado por passares por aqui. Há muito que não te via. Bjinho e tem um bom fim de semana.


De Cöllyßry a 3 de Novembro de 2006 às 22:15
Há um tempo que aqui não venho e vejo que tem muito que ler e com a devida atenção, virei com mais tempo mas deixo meu Bem Hajas a esses Homens que dão de Si em prol do seu semelhante...
Bjo doce,Cõllybry


De paraquedista a 3 de Novembro de 2006 às 22:28
Olá Collybry . Vem sempre que te apeteça. Sempre bem-vinda... Desejo-te um óptimo fim de semana. Bjinho .


De Jofre Alves a 4 de Novembro de 2006 às 14:30
Fiquei muito sensibilizado pelas suas bonitas e comoventes palavras acerca do meu antepassado José Narciso Monteiro, pessoa que muito estimo e por quem nutro uma profunda e veneranda simpatia, pelo seu real valor, nobreza de carácter e filantropia. De todos os meus antecessores – eu que sou genealogista – é a personagem que mais prezo. Por isso, esta semana vou dedicá-la à publicação de fotografias dos meus antepassados do ramo Monteiro, gente ilustre, recuando algumas gerações, até ao meu tretavô. Será sempre bem-vindo.


De paraquedista a 4 de Novembro de 2006 às 23:36
Pois, mais uma vez bem-vindo em visita e bom sucesso nessa página informativa, que será do agrado de muita gente. Bom fim de semana.


De Maria Papoila a 4 de Novembro de 2006 às 14:31
Venho agradecer a tua visita e comentário ao campo. Quanto ao teu texto sobre os bombeiros tenho uma relação muito próxima com estes abenegados homens e mulheres que prestam um serviço público essencial por puro amor. Para todos eles o meu Bem Hajam!
Beijo


De paraquedista a 4 de Novembro de 2006 às 23:39
Maria Papoila, bonito o campo e volta sempre. Um óptimo fim de semana. Bjinho .


De touaqui a 5 de Novembro de 2006 às 21:26
O trabalho de um bombeiro não tem preço.
Sabe-se bem qual o trabalho do mesmo , que tenta cumprir com o pouco que teem na sua missão de salvar vidas e bens.
A sua abnegação do seu serviço por vezes é muito mal compreendida por partes que só sabem fazer criticas , quando essas mesmas partes deveria sim dar as devidas condições aos mesmos bombeiros no material.
As guerrinhas entre bombeiros ou chefias trazem por vezes umas verdades do quero posso e mando na maneira como por vezes as coorperações de bombeiros são tratádos .
Por isso tentemos compreender a situação de bombeiro.


De Barão da Tróia a 7 de Novembro de 2006 às 14:01
Excelente testemunho, dá que pensar. Boa semana.


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